sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uma Breve Análise do Draft 2012


O Draft, processo de seleção de novos atletas para integrar as equipes da NBA, este ano seguiu a mesma tendência das finais da última temporada, na qual Miami Heat e Oklahoma City Thuder jogaram sem armador especialista e com pivô limitado a um segundo plano. Os jogos foram concentrados nos jogadores das posições 2, 3 e 4 em ambas as equipes. O draft também. Dos 60 jogadores selecionados, apenas 6 (10%) são armadores, ao passo que 20 jogam como ala/pivô. A tabela abaixo mostra o número de atletas selecionados por posição em cada rodada e no total.

Posição
1ª Rodada
2ª Rodada
Total (%)
Armador
5
1
6 (10)
Escolta
5
7
12 (20)
Ala
5
7
12 (20)
Ala/Pivô
8
12
20 (33)
Pivô
7
3
10 (17)

Os comentaristas dos EUA relatavam previamente que havia poucas opções de armadores entre os inscritos no processo. Mesmo assim, alguns armadores ficaram de fora das escolhas. Comentei anteriormente que este pode ser um novo tempo, um novo estilo de formação de equipes em quadra, aumentando o poder ofensivo por atuar com jogadores que têm postura mais agressiva em relação à cesta, e aumentando também a mobilidade defensiva (rotações mais eficientes) e a velocidade nos contrataques. A diferença de estatura entre os pivôs e os alas de força não é tão grande, mas a agilidade e a velocidade de curta distância são consideravelmente menores nos pivôs. Isso pode limitar as discrepâncias nas trocas de marcação (mismatches) e favorecer a defesa.

Outro aspecto interessante foi a manutenção das portas abertas aos estrangeiros na NBA. Dos 60 selecionados, 12 (20%) são nascidos em outras países, sendo o mais privilegiado a Turquia, com três atletas. Fora da Europa, apenas um brasileiro, um nigeriano e um canadense. Em solo americano, as Universidades de Kentucky (6 atletas), Carolina do Norte (4 atletas), Syracuse (3 atletas), Vanderbilt (3 atletas) e Baylor (3 atletas) foram as que mais tiveram ex-alunos draftados para a NBA.

As preocupações de cada time na NBA são diferentes e dependem do planejamento de cada organização. Algumas equipes precisavam se reforçar imediatamente, enquanto outras já começaram a pensar na futura renovação de seus elencos, para quando suas estrelas experientes se aposentarem ou atingirem o final do contrato tornando-se agentes livres. Toda escolha é uma aposta, e só o tempo dirá se valeu a pena ou não.

O Dirigente Esportivo no Brasil


Esta semana no programa “Bem, Amigos” do canal Sportv, houve um debate bastante interessante acerca da administração do esporte no Brasil, com as presenças dos técnicos de futebol Levir Culpi e Dorival Jr, além das presenças do staff da casa, Junior, Alberto Helena Jr, Caio Ribeiro, Bob Faria, Arnaldo Cesar Coelho e Luiz Roberto. As opiniões apresentadas foram coerentes e possivelmente expressaram os pensamentos de muitos esportistas entre nós, independentemente de modalidade esportiva.

De cara, o que mais me assusta é a irresponsabilidade de vários dos dirigentes, cujas atitudes mostram uma preocupação mais voltada para si próprio do que para o bem do clube. Dívidas ignoradas (falta pouco para alguns dos grandes clubes brasileiros atingirem a marca de meio bilhão de reais de dívida), controle de gastos ausente, contratações sem sentido (a não ser atender a empresários), entre outras coisas. O basquete nacional não se encontra no mesmo patamar de investimentos e visibilidade do futebol, por isso esse tipo de situação não é tão comum na mídia. Mas, até quando estaremos de fora deste tipo de noticiário?

O esporte de alto rendimento precisa ser gerido empresarialmente. Por isso não há mais lugar para dirigentes sem algum tipo de formação básica. Contar apenas com a boa vontade dos abnegados não pode ser a saída para o desenvolvimento esportivo no país. A falta de conhecimento acerca de planejamento estratégico é uma barreira ao crescimento da modalidade. Precisamos de dirigentes que sejam ousados e criativos, porém responsáveis e responsabilizados por seus atos.

Além disso, deve haver algum grau de conhecimento ou assessoria específica sobre como funciona um programa de treinamento a longo prazo. Caso contrário, erros graves serão (e são) cometidos. Tempos atrás, quando eu era técnico da categoria sub-12 (pré-mirim) no Rio de Janeiro, por exemplo, estive numa reunião na Federação de lá para tratar de como seria o primeiro torneio da faixa etária naquele ano. Era março ou abril, e o diretor da federação queria iniciar a disputa já naquele mês. Antes da reunião, os técnicos presentes conversavam sobre suas equipes, e com exceção de duas, todas as demais (umas cinco ou seis) não estavam preparadas para jogar. Como essa era a categoria mais jovem entre todas, vários atletas haviam ingressado pouco tempo antes na escolinha do clube para aprender os mais básicos fundamentos do jogo.

Quando começou a reunião, pedi a palavra e sugeri que o torneio fosse adiado para o 2º semestre, dando tempo para que aqueles neoatletas pudessem aprender o suficiente para disputar uma partida oficial. Aqueles times que se julgassem prontos marcariam amistosos como jogo preliminar do campeonato adulto. Todos os treinadores concordaram. Mas o diretor da entidade disse: “É, só que agora ficou muito em cima. Vamos fazer esse torneio agora e depois a gente pensa nisso.”

Sejamos francos, quem gosta de competição, gosta de ganhar. Assim, todas as equipes queimaram etapas na formação dos atletas em busca da possibilidade de vitórias. Alguns times eram ainda muito iniciantes, e suas derrotas chegaram a ultrapassar os 100 pontos de diferença no placar. A maioria dos jovens atletas derrotados perversa e continuamente abandonaram o esporte ao final daquele torneio. Os próprios clubes limitaram seus investimentos, visto que apenas as vitórias e os títulos interessavam.

Não é proibido ser campeão, mas o verdadeiro papel do treinador da base é participar e dar continuidade ao processo de formação de atletas no longo prazo. Observe que não mencionei que o papel é formar atletas e sim dar continuidade ao processo, de modo a evitar a falsa impressão de que já aos 13 anos de idade o atleta precisa saber de tudo da modalidade, todas as regras, todos os sistemas de jogo, todas as plataformas de defesa, todos os fundamentos, enfim, todas as situações de jogo. Precisa haver um planejamento no qual seja estabelecido o que cada faixa etária deve aprender ao longo do ano, tornando o aprendizado gradativo e cumulativo.  

Se o dirigente não entender isso e se o treinador da base achar que seu emprego depende de troféus e medalhas, o país nunca será um eficiente formador de atletas, e ficaremos a mercê da natural evolução dos nossos talentos, ou ainda da importação de estrangeiros para compor nossa seleção nacional.

sábado, 23 de junho de 2012

Quem Ganha o Jogo: o técnico ou o jogador?


É claro que essa pergunta não tem uma resposta clara e objetiva, mas faz a gente pensar sobre a atuação dos técnicos durante a preparação da equipe para o jogo, e durante o jogo em si. Interpreto estes dois momentos de forma diferente, compreendendo que o treinador tem a responsabilidade de preparar o time ao longo da semana, enquanto o técnico assume prioritariamente a responsabilidade durante a partida. No Brasil, ambas as funções normalmente são exercidas pela mesma pessoa.

Este ano, os jogos dos play-offs da NBA mostraram algo interessante para se debater acerca do papel dos técnicos no desempenho das equipes. Falo em especial do técnico do Miami Heat, Erik Spoelstra, campeão da atual temporada. Ao longo de seu trabalho, aliás, desde o início, muitas dúvidas pairaram no ar acerca do comando do jovem ex-assistente técnico que foi convidado a assumir a função de treinador principal. Os administradores da franquia da Flórida montaram um time com o intuito de se criar uma nova dinastia na Liga. A chegada de LeBron James e Chris Bosh deu ao time um padrão diferenciado, sendo apontado como um dos mais fortes candidatos ao título. O título não veio em seu primeiro ano, e logo a pressão sobre o treinador ganhou força. O início ineficiente fez para muitos críticos, o treinador balançar no cargo, mas a diretoria, principalmente aquele que o colocou na função, o presidente da corporação, Pat Rilley, manteve as coisas como estavam, pois pareciam acreditar em Spoelstra. Mas, o que somente Pat Rilley viu, que ninguém mais percebeu?

Penso que o grande problema ao se criticar é que a ignorância é a mãe do pensamento livre, ou seja, quando você não conhece todos os fatores associados a uma situação qualquer sua versão dos fatos fica repleta de lacunas, e a tendência é completarmos a estória a nosso próprio gosto. Quem aqui acompanhou o dia-dia dos treinos em Miami para saber como era o convívio dos atletas com o treinador? Afirmar que Spoelstra não tem carisma e, portanto, não tem comando sobre o grupo é um tiro longo e quase leviano.

Em minha opinião, Spoelstra paga o preço por ser jovem e de estilo low profile. É importante não ignorar os diferentes estilos de liderança de grupos. Já comentei aqui em outra oportunidade que o treinador deve ser um catalisador de performance, buscando os meios e métodos para que seus atletas alcancem o mais alto nível de rendimento individual e coletivo. Estamos (mal) acostumados com os técnicos “besta fera” em nossas quadras, campos e etc. Devemos entender que para muitos atletas, falar é suficiente, gritar é over. Se a mensagem foi enviada e assimilada através de uma conversa num tom de voz normal, não há a necessidade de se quebrar a prancheta e vociferar perante o grupo. Já vi técnicos dando bronca no time e olhando para a arquibancada atrás do banco de reservas, dando atenção a “sua plateia”. E no final, se perdem o jogo, a culpa é daquele jogador que errou o último arremesso ou daquele outro que não fechou o rebote. Talvez ainda sobre para os árbitros, mas nunca, nunca a derrota é de responsabilidade do técnico. Por outro lado, a cada vitória há a celebração de uma conquista gerada pela perfeita orientação da equipe, dando um “nó tático” no adversário. Será mesmo?

Pra quem não sabe, Spoeltra foi o responsável por criar e implantar o atual sistema de análise de performance utilizado pelo Miami Heat, ou seja, é um especialista em estratégia. Observe as mudanças marcantes na forma de jogar do time ao longo dos play-offs. Os ajustes eram feitos para cada adversário, limitando as ações ofensivas de acordo com a identificação dos pontos fortes dos times, em especial, ao se observar a dificuldade do Celtics para infiltrar no garrafão do Heat nos jogos 6 e 7 da final da Conferência Leste, e depois, nos jogos contra o Oklahoma City Thunder. A defesa, que já era considerada uma das melhores da Liga, ficou ainda mais aguerrida nas finais. O ataque, apesar da forte individualidade do trio James-Wade-Bosh, passou a adotar medidas alternativas, explorando o jogo interno de LeBron (ao invés dos chutes do perímetro) e sua distribuição de bola nas dobras de marcação, aliados aos confiantes arremessos de três pontos de Mario Chalmers, Shane Battier e Mike Miller. O Miami Heat mudou, amadureceu e virou um time. Precisou de 16 vitórias na pós-temporada para mostrar isso. E eu, particularmente, não acredito que estas mudanças não tenham passado pelas mãos de Erik Spoelstra. Ele entende do assunto.  Pode demorar, mas vai mudar a opinião de muita gente. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nosso Solo Sagrado


Tempos atrás, quando eu iniciava minha carreira como treinador, ainda um estagiário, atuando como assistente técnico das categorias de base, me deparei com uma situação um tanto quanto peculiar. Eu trabalhava no Tijuca T.C. do Rio de Janeiro, clube que não tem em suas dependências uma única quadra de futsal (há apenas dois campos de futebol society para torneios internos ou atividades recreativas dos associados). Sendo assim, o Tijuca não tem equipes de futebol ou futsal disputando campeonatos oficiais. Nosso time de basquete sub-13 foi jogar uma partida como visitante contra o C.R. Vasco da Gama. Um dos nossos atletas era de família portuguesa, todos vascaínos no sangue. Eis que ao sair do vestiário para a quadra, este atleta aparece vestindo a camisa do vasco por baixo do uniforme do Tijuca. Aquilo me incomodou bastante apesar do técnico não ter se manifestado na ocasião, e a partir daquele momento decidi que isso precisava mudar.

Quando assumi a direção técnica das equipes sub-12 e sub-13 do clube, determinei junto aos atletas que dali em diante eles não mais torceriam para Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense depois de ultrapassarem o portão de entrada do ginásio. Assim, o uso de nenhum short, camisa, meia ou qualquer outro aparato de vestimenta seria permitido nos nossos treinos. Depois de um tempo, os atletas passaram a mostrar maior identificação com o clube, e até mesmo um certo sentimento de orgulho foi percebido. Penso que entre os primeiros aspectos a serem ensinados aos atletas iniciantes deve constar o respeito pela instituição. Esse comprometimento foi inspirador em vários outros momentos de cada jogador ao longo dos anos seguintes.

Outra coisa a se respeitar é a quadra. Nosso campo de jogo deve ser conservado por cada um de nós que utilizamos este espaço. Enquanto fui o responsável por aqueles atletas, nenhum deles entrava na quadra descalço ou de chinelos, somente de tênis apropriado para o jogo. Eu mesmo quando calçava sapato nos dias de jogo não entrava na quadra de forma alguma. Precisava também dar o exemplo, e os atletas, apesar de bastante jovens ainda, notavam isso.

Sinto pena de ver como estes hábitos parecem ser tão distantes da realidade de hoje em dia. É como um sentimento de profanação do nosso solo sagrado. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Basquete Brasileiro: crise ou crítica?


Hoje terminou o Campeonato Fiba Américas U18 masculino. A competição, realizada em solo brasileiro, na cidade de São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, reuniu a nata do basquetebol das Américas que certamente estarão na mídia nos próximos anos, quem sabe até, de volta a nosso país, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016. Além do sempre favorito time dos EUA, os olhos dos espectadores e da mídia focaram o elenco argentino, países com programas de desenvolvimento do basquetebol muito mais avançado do que o Brasil.

Tudo isso escrito acima é verdade. A preocupação com a participação brasileira é uma constante entre os cronistas e blogueiros tupiniquins. Mais uma vez, muita desconfiança, e uma torcida meio discreta, quase precisando que as coisas dêem errado para terem o que criticar impiedosamente sobre nosso esporte. Espero que este texto até aqui não os tenha levado a uma interpretação equivocada a meu respeito, fazendo-os pensar que eu acho que está tudo bem com o basquete nacional, que nossos times são os melhores, que nossa organização e administração esportiva é exemplar. Não vamos nos iludir, nem eu e nem vocês. Mas convenhamos, parte da crise do basquete brasileiro é proveniente de um exagero, transformado em uma espécie de histeria coletiva dos críticos.

A primeira coisa é a matemática imprecisa. É muito cruel (já disse isso aqui antes...) esse discurso sofista de que o Brasil está há 16 anos sem participar dos Jogos Olímpicos, uma competição que só ocorre de 4 em 4 anos. Se formos levar isso ao pé da letra, a atual campeã Espanha já se encontra afastada das quadras olímpicas oficialmente há 4 anos! Nem os EUA, atuais campeões mundiais escaparam deste mesmo período de ostracismo. Deixemos então de mencionar 16 anos, e sim, comentar (e lamentar) que ficamos três edições olímpicas de fora.

A outra coisa é o tratamento diferenciado que a crítica dá aos fatos ocorridos com nossos times em relação aos demais. Por exemplo, Ruben Magnano não gosta de câmeras e microfones em seus pedidos de tempo, e acham isso um absurdo. Na NBA mostram única e simplesmente os discursos motivacionais, mas nunca a parte tática. Mas ninguém reclama. Disseram que a final do NBB foi um jogo de baixíssimo nível técnico que demonstrou a fragilidade do basquete nacional. Será que estes não assistiram a final da Euroliga? O jogo só ficou bom de verdade quando faltavam cerca de 5 min para o fim. Até lá, foi uma tremenda pelada, em especial o primeiro período. Será que isso demonstra a fragilidade do basquetebol russo e também do grego?

 Reclamam que o basquete brasileiro desde o final os anos 1980 passou a se basear nos arremessos de três pontos, sem preocupação com variações táticas ofensivas. Não sei o que vocês vêm, mas será que não é exatamente isso que acontece nas arenas do Miami Heat e do Oklahoma City Thunder nas finais da NBA? No final do jogo de ontem (jogo 4), o ex-técnico e atual comentarista dos canais ESPN Zé Boquinha foi muito feliz em dizer que Russel Westbrook é um armador de pelada. A quantidade de erros básicos cometidos por ambas as equipes, comandadas por dois técnicos que nunca receberam o reconhecimento por seus trabalhos, e a total falta de estrutura tática ofensiva (principal característica tanto do time do leste como do oeste), nunca receberam as críticas dos amantes do esporte. Os arremessos precipitados de longa distância ao chegar num contrataque sem rebote, ou logo após a recuperação de um rebote ofensivo foram presenças marcantes no repertório dos times.

Quanto ao nosso estilo de jogo baseado exacerbadamente nos arremessos de longa distância, vocês ficariam chocados em saber que a média de arremessos de três do NBB, da Euroliga, da Liga Endesa (ACB Espanhola) e da Lega Nacional (Liga Italiana) são rigorosamente iguais? Em todos os campeonatos, as equipes tentam sempre cerca de 20 arremessos de três pontos por partida (em breve nossa equipe vai comentar mais sobre isso). Será então que nosso estilo de jogo é ainda tão diferente dos europeus?

Quanto ao processo de renovação, penso que estamos no início de um trabalho que só vai colher frutos bem mais tarde, provavelmente quando outro grupo estiver à frente da administração da modalidade. Estamos ainda preparando o terreno e começando a plantar as sementes. Devemos ter mais parcimônia e melhores critérios para poder avaliar e criticar o estado atual do basquete brasileiro, mas sempre numa perspectiva de crescimento em curso.

Pra finalizar, vejam só estes dados: a Argentina U18 perdeu duas vezes para o Canadá e perdeu de lavada para os EUA nas semifinais. Acabou o torneio em quarto lugar. Imaginem se fosse o Brasil...o que estariam comentando por aí?

PS: Após um terceiro quarto muito ruim, o Brasil perdeu a final do U18 para os EUA. Placar final: EUA 81 x 56 Brasil.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hoje é Dia do Árbitro de Basquetebol


Hoje no twitter circulou uma notícia interessante, mas não confirmada até o momento. Ao que tudo indica, hoje, dia 19 de junho, é o dia do árbitro de basquetebol. Não sei se é verdade, mas mesmo assim, presto aqui minha homenagem a estes personagens do esporte. Sem os árbitros, não há esporte de alto rendimento. Bater uma pelada sem compromisso, é até possível, mas um campeonato de verdade precisa da equipe de arbitragem.

A arbitragem de basquetebol é, ao meu ver, uma das mais difíceis entre todas as modalidades olímpicas. A evolução das regras, dos jogadores e do próprio estilo de jogo obrigou a equipe de arbitragem a aumentar de dois para três integrantes em quadra. Hoje, os atletas são maiores, mais fortes e mais rápidos que há 20 ou 40 anos. Além disso, a disputa pelo espaço tornou o jogo recheado de contato físico.

A introdução da linha de arremesso de 3 pontos fez o campo real de jogo se expandir um pouco, mas mais recentemente, o aumento do tamanho da área restritiva (garrafão), encurtou os espaços novamente. É difícil ver tudo o que acontece no jogo, mas isso não é aceito como desculpa para erros dos árbitros.

Penso que um time só deveria reclamar dos erros de arbitragem se fizer uma partida perfeita, sem erros de passe, de arremesso, de postura ou movimentação defensiva. É muito mais conveniente fechar os olhos para nossas próprias falhas e transferir a culpa pela derrota para aqueles indivíduos “que não podem errar”.

E quem nunca errou que atire a primeira pedra...

Parabéns árbitros! E obrigado!

Está Faltando Armador!


Hoje a noite teremos o jogo 4 das finais da NBA 2011/2012, em que o Miami Heat receberá o Oklahoma City Thunder. Creio que pela primeira vez na história os times finalistas adotam uma estrutura pouco usual no esporte. Em seus times titulares nenhuma das equipes possui armador de ofício. Russel Westbrook (Thunder) e Mario Chalmers (Heat) fazem a função de forma improvisada, mas sem a eficiência esperada de um organizador do ataque. No banco de reservas dos dois lados, há uma opção para a posição. Enquanto o Thunder conta com a ampla experiência do veteraníssimo Derek Fisher, o time do Heat joga o peso da responsabilidade nas costas do calouro Norris Cole. Se falta condição física para um, falta bagagem para o outro. E ambos têm baixa estatura para os padrões da NBA (Fisher 1,83 m e Cole 1,85 m). Além disso, em vários momentos do jogo têm tido a obrigação de marcar jogadores bem mais altos, como Dwyane Wade (1,93 m) e Kevin Durant (2,06 m). Não sei exatamente as razões pelas quais os técnicos decidiram montar seus elencos com estas características, mas este fato levanta a questão: será esta uma tendência para os próximos anos? Será que a função do armador será banida do jogo?

Acho que da forma como o jogo na NBA tem sido conduzido, é bastante possível que esta seja realmente uma direção a ser tomada pelas equipes (não estou defendo esta posição, apenas interpretando a situação!). Esta semana tive a oportunidade de assistir alguns jogos antigos, que em breve serão tema de textos do É Cesta! Estes jogos podem ser considerados clássicos do basquete, como a final olímpica de Munique em 1972 entre EUA e URSS. O jogo era absolutamente coletivo, com uma constante movimentação dos jogadores e troca de passes até que fosse possível arremessar a bola em curta ou média distância com o mínimo de marcação adversária. O jogo da NBA hoje se resume a duas situações no ataque posicionado: o isolamento e o pick and roll. Assim, o jogo não precisa mais ser “coletivo”. Pelo contrário, quando se aplica o isolamento, a função dos demais jogadores é efetivamente não atrapalhar, e sair do caminho, liberando espaço na quadra para que o atacante com bola jogue sozinho. No máximo, busca-se um bloqueio (corta-luz) com giro para as situações em que se busca forçar a troca de marcação. A outra opção são os arremessos de 3 pontos, mesmo que seja num contrataque sem rebote ofensivo a ser disputado.

A verdade é que este estilo de jogo dispensa o armador da quadra. Uma pena, pois penso que desta forma o jogo fica menos intuitivo e mais óbvio. As habilidades atléticas parecem superar as habilidades cognitivas e a síntese de raciocínio dos atletas. A própria participação do técnico nas tomadas de decisão ofensivas ficam limitadas. Acho o espetáculo das enterradas e infiltrações com mudanças de direção fantástico, mas não me iludo. Não gosto deste estilo de jogo baseado pura e simplesmente no 1 x 1.  A NBA atual me lembra um exercício que muitos professores e treinadores (eu inclusive) costumam utilizar, no qual os componentes de cada equipe recebem uma numeração e ficam sentados ao longo da linha lateral de quadra. Cada número de uma equipe tem seu correspondente na outra equipe. O professor lança a bola para o alto no centro da quadra e chama um número. Então, os jogadores de cada equipe que tenham este número correm para disputar a bola e jogar 1 x 1, até que saia uma cesta. A NBA de hoje não está muito distante disso.

Tomara que a NBA das próximas temporadas não nos prive de ver em ação jogadores como Rajon Rondo, Tony Parker, Chris Paul, Jason Kidd, Monta Ellis, Steve Nash, Derrick Rose, Ricky Rubio, John Wall, Kemba Walker, entre muitos, muitos outros, que desafiam cognitivamente os adversários e organizam as ações ofensivas de seus times. O jogo nasceu coletivo. Que seja mantido coletivo!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Como Medir a Qualidade de um Técnico?


Já escrevi por aqui que o técnico (ou treinador esportivo) deve ser um catalisador de performance, buscando meios e métodos para que seus atletas alcancem o máximo do rendimento individual e coletivo. A função do treinador é dotada de um elevado grau de complexidade, embora nem sempre seja percebido. Se você não compreende esta situação por este ângulo, passa a crer que o papel do técnico é simplesmente definir uma plataforma tática (que tipo de defesa, por exemplo) e “não atrapalhar” o rendimento do time. E isso está longe de ser verdade.

O treinador idealmente deve participar da montagem do elenco (da mesma forma em que um diretor de teatro faz antes de um espetáculo), selecionando os atletas que formarão a equipe para aquela temporada. Este processo de seleção passa pela compreensão de que as “peças do quebra-cabeça” precisam fazer sentido quando estiverem juntas. Nem sempre, o simples fato de agrupar grandes talentos ao mesmo tempo cria um grande time.

Ao longo da temporada, o treinador precisa gerenciar as diferentes personalidades presentes no grupo, precisa saber motivar os reservas, precisa saber corrigir e aperfeiçoar os jogadores, e até mais importante que isso, saber como ter acesso à correção destes jogadores. Não se iluda, pois até mesmo estrelas da NBA apresentam falhas graves de fundamentos. Porém, um treinador atento e capacitado, consegue convencer este atleta da necessidade de melhora.

Então, que indicadores devem ser aplicados para definir a qualidade de um técnico? Será que os títulos e demais conquistas ou o percentual de vitórias ao longo da carreira? Será o carisma? Eric Spoelstra do Miami Heat é bastante criticado por não ser carismático. Mas o time da Flórida tem apresentado a cada jogo destes play-offs um sistema defensivo mais e mais consistente e variado, ajustando-se ao estilo ofensivo de seus adversários (foi assim contra Boston Celtics e agora contra Oklahoma City Thunder). E apesar da habilidade em resolução de problemas, nem assim o consideram um bom técnico.

Existem críticos que ainda insistem em dizer que “há times cujos jogadores não precisam de técnico, jogam sozinhos”. Podem ganhar alguns jogos, mas não ganham campeonatos. Tem muito mais saberes necessários a um treinador que a mera escolha da defesa ou das jogadas ensaiadas no comando de um equipe. E os treinadores que não entenderem isso estarão dando razão aos críticos. 

sábado, 16 de junho de 2012

Expansão do NBB para o Nordeste


Fortes rumores apontam para a criação de uma nova equipe para disputar o NBB 5 fora do eixo Sul-Sudeste, de onde vêm a maioria dos clubes. É um time da capital cearense, Fortaleza. Como nenhum clube específico ou patrocinador foi anunciado até o momento, continuaremos a chamá-lo simplesmente de Fortaleza. Gosto muito dessa ideia. Moro no nordeste há quase 6 anos e vi como o basquetebol daqui tem potencial, mas falta gerenciamento e investimento. Há treinadores abnegados, mas que nem sempre recebem eco de suas ações daqueles que detém o controle administrativo e financeiro do esporte ou do Estado.

Penso que a entrada deste novo time pode dar luz a uma enorme seara de jogadores que não tiveram até então oportunidade de aparecer para um público além dos amigos e família. Portanto, espero que a formação deste time possa mesclar jogadores consagrados, como o ventilado interesse em Manteiguinha e Rogério Klafke, com jogadores da região nordeste. Temos muitos jogadores de qualidade aqui em cima, mas faltam estrutura e visibilidade.

Alberto Bial tem aparecido como provável técnico do time. Experiente, conhecedor do esporte, mas principalmente, carismático, atributo indispensável para este início de projeto. Contudo, assim como com os atletas, penso que a comissão técnica também deve dar oportunidade para os profissionais de lá participarem. Em nossa opinião, este seria uma forma de legado esportivo, não só para a cidade de Fortaleza, mas também para a região nordeste como um todo.

Na região, existe há alguns anos a Liga Nordeste de Basquetebol, que no ano de 2011 organizou a 4ª Supercopa Nordeste de Basquetebol agregando um pouco mais de 140 equipes jogando simultaneamente nos nove Estados da região. Certamente, atletas e treinadores de qualidade se apresentaram por lá. Falta agora garimpar as informações e descobrir novos talentos para o basquete nacional. O fato é que não há razão para se abrir uma franquia do NBB em Fortaleza se não forem utilizados atletas da região.

Espero que tudo dê certo, e que a praia de Iracema seja o novo point da Liga Nacional de Basquete.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Arbitragem Brasileira: formação e progressão profissional


Não existe padronização nos cursos de formação de profissionais de arbitragem no basquete. Os cursos podem ter duração de um fim de semana até três meses, dependendo da Federação que o organize. Penso que os cursos de curta duração tendem a simplesmente fazer com que atletas migrem para a função da arbitragem. Convenhamos, não é possível formar um novo árbitro que não tenha sido jogador em apenas um fim de semana. Essa estratégia, embora encurte caminhos, faz, paralelamente, com que o universo de pessoas envolvidas na modalidade fique reduzido.

Para que o árbitro aprimore seu desempenho é preciso ter a oportunidade de trabalhar muito (ou seja, apitar muitos jogos) e vivenciar o máximo possível de situações sobre as quais precisam tomar decisões rápidas. Jogos muito desequilibrados (mais de 25 pontos de diferença no placar) tendem a fazer com que a atenção e concentração do árbitro fiquem diminuídas. Assim, os erros de arbitragem tornam-se mais comuns, porém sem prejuízo no resultado final da partida. Desta forma, parece que a responsabilidade do árbitro também diminui. O que não é verdade.

Outra questão diz respeito à progressão profissional do árbitro, pois também não existe um padrão para isso. Lembro-me que nos anos 1990 no Rio de Janeiro, após terminar o curso, o aluno virava estagiário e precisava apitar cerca de 20 jogos neste período. Após o estágio, tornava-se árbitro regional de 3ª categoria. Tempos depois, podia solicitar a progressão para 2ª categoria, e finalmente a 1ª categoria regional. Finalizado este longo período, o árbitro poderia então fazer prova para a categoria nacional, o que abriria possibilidades para participar de campeonatos além do âmbito estadual. Ou seja, a quantidade de jogos apitados e o tempo na profissão eram fatores expressivos para sua progressão.

Alguns árbitros, porém encurtam caminho. A depender da Federação, é possível que um ano após o curso o árbitro já atinja a categoria nacional. Temo por essa aceleração da progressão, pois a falta de experiência do árbitro até atingir este nível pode trazer prejuízos nos futuro. Nos Estados em que os jogos equilibrados são uma raridade, podemos questionar em que condições estes árbitros estão se preparando para campeonatos mais abrangentes.

Um outro aspecto que merece atenção é a motivação para seguir na carreira. A maioria dos árbitros internacionais cadastrados na CBB atualmente é das regiões sul e sudeste. Portanto, parece que a chance de um árbitro de Sergipe, Rondônia, Tocantins ou Mato Grosso do Sul, por exemplo, alcançar o nível internacional é relativamente pequena. Por isso, a progressão nestes e em outros Estados deveria ser mais lenta, evitando que os árbitros chegassem ao topo da carreira precocemente. Somos motivados pela possibilidade de crescer, mas se fica estabelecida esta inviabilidade, a tendência à estagnação pode fazer emergir a síndrome de burn out no árbitro e seu rendimento ficará comprometido.

O basquete brasileiro precisa cuidar de seus árbitros!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

NBB 5: hora de mostrar responsabilidade


O NBB 4 acabou e agora os clubes começam a se preparar para a próxima temporada. Mais do que nunca, é preciso ter cuidado. Este é um momento delicado para a continuidade do sucesso do basquete brasileiro. O caminho do crescimento do esporte no Brasil passa pelo equilíbrio de forças na competição. Taí algo que deveríamos efetivamente “copiar” da NBA. Há uma constante preocupação dos administradores da Liga no tocante à manutenção de certo equilíbrio competitivo entre as equipes. O sorteio para escolha de novos jogadores (draft) busca viabilizar, ao menos em parte, este nivelamento. Além disso, existem barreiras financeiras para evitar que superinvestidores montem times muitos desvios-padrões fora da média do campeonato, o que faria com que o brilho da competição se perdesse. Vejam o que aconteceu com a fórmula 1 na época em que não havia dúvida de que a dupla Ferrari e Schummacher ganharia todas as provas! O público perdeu interesse. Competições precisam de verba para que aconteçam; patrocinadores precisam ter suas marcas vistas pelo público consumidor; a mídia precisa dos fatos para divulgar as notícias. No fundo, um campeonato óbvio não atrai audiência, que afasta os investidores e desaparece dos noticiários.

Tenho observado com certo incômodo a movimentação do mercado do basquete brasileiro.  Poucos times mantiveram seus elencos da última temporada. Joinville, Paulistano, Pinheiros e Minas Tênis perderam boa parte de sua base e ainda não começaram a suprir as lacunas. Araraquara e Limeira estão se licenciando por falta de verba. Vila Velha e Liga Sorocabana também passam por dificuldades financeiras para montar seus times. Tijuca dispensou todo o elenco para recomeçar do zero. Franca mudou não só os jogadores, mas também seu status, passando a ser um time mais jovem (bem diferente da última temporada) e sob comando de um treinador acostumado a lidar com grupos desta característica. Brasília, Bauru, São José e Uberlândia seguraram seus principais jogadores e começam com um grupo forte. Os estreantes Palmeiras e Mogi também mantiveram a base e estão ainda em fase incipiente de contratações de reforços. Ainda há a possibilidade de Fortaleza e Assis aparecerem entre os participantes, mas ainda sem informações sólidas sobre seus elencos. O clube que mais investiu até o momento foi o Flamengo, que renovou de forma expressiva seu elenco. É incontestável que a ausência do time carioca nas finais do NBB nos últimos dois anos fez pressão para que reforços de peso fossem agregados ao grupo.

E é aí que vem minha preocupação. Pelas negociações anunciadas até a data de hoje, ao que parece, aquele equilíbrio de forças tão comum nos jogos de 2011/2012 vai dar lugar a um campeonato de muitos times, mas poucos competidores. A Liga Nacional de Basquete precisa se proteger para manter o NBB imprevisível. Se certame tiver campeão certo antes mesmo dos times entrarem em quadra, será bem mais difícil ver os ginásios cheios como vimos este ano. Algo para se debater, com calma...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Progressão Pedagógica no Basquetebol

Uma das grandes preocupações que um professor de iniciação ao esporte ou treinador de categorias de base deve ter diz respeito ao que e como ensinar os fundamentos e demais elementos do jogo. Tenho pra mim que da mesma forma que se programa o conteúdo a ser ministrado ao longo das aulas de matemática ano a ano, um programa de treinamento de longo prazo, partindo da iniciação à modalidade, deveria seguir rigorosamente o mesmo aspecto. 

Cada faixa etária deveria ter um certo conteúdo de fundamentos e situações de jogo a serem ensinados. E não mais do que isso. A cada ano (ou categoria) novos elementos seriam apresentados, ensinados, corrigidos e aperfeiçoados, tornando o aprendizado cumulativo e mais consolidado com o passar do tempo. No entanto, para que isso funcione no longo prazo, é imprescindível que os professores e treinadores elaborem com antecedência e sigam seu programa de treinamento de longo prazo. A ânsia pela conquista precoce de títulos e vitórias estratégicas nas partidas pode desviar o foco deste processo e causar, tempos depois, inconsistências no rendimento dos atletas no final de sua fase de formação. 

Assim, jogadas ensaiadas, defesas mistas ou por pressão quadra toda não deveriam fazer parte da primeira fase da iniciação ao esporte. isso pode fazer ganhar jogos e campeonatos nestas categorias mais jovens, mas certamente queimará etapas no processo de formação dos atletas, criando lacunas em seu desenvolvimento. 

Respeite o momento de cada ensinamento. Desta forma, ele tenderá a ser duradouro! Ensine a jogar, não a fazer jogadas, que nada mais são do que coreografias não compreendidas pelos executantes. Ninguém perde o emprego de técnico de categoria de base por falta de títulos, mas sim por falta de controle, falta de bom senso, por conduta inadequada, etc. Deixe as vitórias e os títulos surgirem como resultado natural de um processo pensado, elaborado, debatido, executado, avaliado e reestruturado a cada vez. Não é proibido ser campeão. Só não faça disso o seu único objetivo!