quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Legado dos Treinadores Brasileiros


Mais uma vez o tema “legado” volta às nossas discussões. Tenho tido uma imensa preocupação com o “day after” das nossas megaventuras esportivas internacionais dos próximos três anos. Desta vez, o foco é sobre os treinadores esportivos brasileiros. O que nos deixam de legado? Em anos recentes tivemos a (ingrata) oportunidade de ler e ouvir críticas sobre estes profissionais, que eles não estudam, que eles não se atualizam, etc, etc. Isso não é verdade! Não sei quanto às outras modalidades, e até tendo a desconfiar que isso seja um fato no futebol, por exemplo, mas no basquetebol brasileiro posso afirmar sem medo de errar que nossos treinadores estudam e se atualizam. Cada um a sua maneira, a maior parte sempre busca informações para aprimorar seu conhecimento e melhorar a performance de seus atletas e equipes.

As formas de atualização contemplam desde a maciça participação em cursos, clínicas e estágios não só no Brasil como também no exterior, até a aquisição de livros, acesso a sites e participação em grupos de discussão de técnicos via e-mails ou redes sociais. Vários treinadores detém a arte de perceber as mudanças surgidas no estilo de jogo de equipes diferentes ao assistir os campeonatos internacionais pela televisão ou in loco. Estes profissionais não são torcedores que vão aos ginásios para admirar jogadas espetaculares, mas sim profundos observadores da tática, da estratégia, do uso dos fundamentos e do comportamento de técnicos, atletas e árbitros, elementos que visam à melhora do seu rendimento profissional.

Por tudo isso acima, não concordo com a crítica de que nossos treinadores não estudam. Nossos treinadores leem bastante. Só não escrevem. Essa, para mim, é a principal falha. É onde permitimos escapar gradativamente a oportunidade deixar um legado esportivo para as gerações atuais e futuras do esporte brasileiro. Temos treinadores de alto nível nas mais variadas modalidades esportivas, mas com raríssimas exceções, nenhum publica seus conhecimentos. Certa vez, conversei com um treinador de basquetebol sobre a possibilidade de ele escrever um livro sobre seu aprofundado conhecimento do esporte e ele se sentiu quase ofendido, chegando a perguntar se eu era maluco! A razão apresentada por ele para a recusa era que ele não queria “entregar o ouro para o bandido”. Pois é...será que esse é mesmo o espírito? Será que essa é a razão para não “mostrarmos o que fazemos de verdade na quadra”?

Penso que isso tenha um fundo cultural. Nos EUA, por exemplo, é praticamente uma questão de honra e prestígio no meio profissional mostrar o que se sabe e o que se faz. É mais do que comum os treinadores publicarem artigos e livros, alimentarem sites e grupos de discussão, e até possuírem canais de vídeo no Youtube, dando dicas de ensino de fundamentos, de táticas defensivas e ofensivas, e tudo mais. Mostrar o que sabem nunca foi considerado por lá “entregar o ouro ao bandido”! No de 1994, o então técnico do Chicago Bulls, Phil Jackson, esteve no Rio de Janeiro para participar de um evento e ministrou uma aula teórica e outra prática demonstrando com detalhes o sistema de jogo ofensivo que ele adotava em sua equipe (triangle offense). Não foi algo superficial para tapear os espectadores e fingir que os ensinava. Foi legitimamente o ataque do Chicago Bulls. Quem assistiu às aulas e costumava ver o time jogar, sabe que não faltou nada sobre o assunto.

Digite qualquer elemento do jogo de basquete no Google ou no Youtube e você descobrirá uma infinidade de sites, livros, artigos e videoaulas bem explicadas e detalhadas sobre seu assunto. No Brasil, com exceção do livro “Basquetebol: sistemas de ataque e defesa” do Prof.º Walter Carvalho e do livreto (sem editora ou ISBN) “Os dez mandamentos do basquetebol moderno” do Prof.º Waldir Boccardo, todos os demais treinadores que publicaram livros por aqui se dedicaram à iniciação esportiva, mesmo aqueles que só trabalham com o alto rendimento.

O Brasil, como uma pretensa potência olímpica em desenvolvimento, precisa aprender a passar a informação que adquiriu ao longo dos anos pelos mais variados meios para multiplicar e perpetuar o conhecimento.


Livros citados: 

CARVALHO, W. Basquetebol: sistemas de ataque e defesa. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.

BOCCARDO, W. Os dez mandamentos do basquetebol moderno. (encomenda via www.bolar.com.br)

3 comentários:

  1. Cristiano Mezzaroba23 de janeiro de 2013 18:27

    Marcos, muito legal a postagem!!! Parabéns! Eu concordo contigo. Quando vi o título, pensei, num senso comum que me atacou: "ah, mas isso é da cultura dos técnicos de não lerem, não se atualizarem!". Mas fui concordando contigo e assino embaixo quando vc argumenta ser, possivelmente, uma questão cultural. Como vc bem finaliza no texto, um país como o Brasil, uma pretensa potência olímpica e sede dos maiores eventos esportivos na década (de 2007 a 2016), não tem uma cultura esportiva diversa e ampla como a cultura esportiva norte-americana, ao menos pelo meu olhar. Com raríssimas exceções, a gente vê, por exemplo, um Bernardinho escrevendo livros. Mas não são sobre o "esporte" e sim, mas sim quase que uma "auto-ajuda". Torna-se produto de um sistema, trazendo exemplos de superação etc e tal, quase que voltado à psicologia esportiva. Seja no futebol, no vôlei, no futsal, no basquete, no tênis, na ginástica artística/rítmica, não tenho dúvidas que temos sim técnicos de ponta, de primeiro mundo. Mas essa retrógrada ideia de que passar seus ensinamentos é entregar o ouro ao bandido, é parte de uma cultura individualista e de caráter mercantilista, que importa, no fundo, é eu me dar bem, eu ganhar dinheiro com isso. Esquecem-se, com isso, que mais que dinheiro e fama, fica a contribuiçõa para as gerações futuras... para novos treinadores... para professores de Educação Física, enfim. Já que falamos em legado - pra terminar - será que, novamente, não estaria aí mais uma possibilidade de legado imaterial com os megaeventos no país, pra além do turismo, da mobilidade urbana? Parodiando a propaganda que me provoca, da Brahma, do "imagina na Copa...", eu diria "Imaginem se esse conhecimento fosse socializado!"

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  2. Boa noite Marcus!
    Minha primeira vez aqui e fiquei muito feliz com o que li. Quanto mais conhecimento adquirirmos e passarmos, mais o basquete brasileiro cresce. O papel do técnico é de extrema importância e sua contribuição e legado, são indispensáveis para a contínua melhoria do basquete. Vou correr atrás dos livros que você mencionou. Abraço e sucesso.
    Obs:Também procuro dar minha singela contribuição- candangosbasquete.blogspot.com.br

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